PLANO DE FORMAÇÃO 2026
EIXO 1

HISTÓRIA E ESTÉTICA DO TEATRO
Este módulo introduz os participantes às grandes transformações estéticas que moldaram o teatro do século XX até ao presente, procurando responder a uma pergunta central: como chegámos ao teatro contemporâneo tal como hoje o conhecemos? A partir das vanguardas históricas — expressionismo, simbolismo, construtivismo e outras formas de ruptura com a representação dramática tradicional — traça-se um percurso que mostra como estas viragens alteraram as relações entre texto, encenação, corpo e espaço, abrindo caminho para a cena enquanto território autónomo de experimentação. O módulo avança depois para as estéticas e práticas que caracterizam as últimas décadas, incluindo abordagens frequentemente associadas ao chamado “teatro pós-dramático”, onde a composição visual, sonora, documental e performativa ganha centralidade em relação à narrativa textual. Em vez de uma abordagem exaustiva ou académica, o módulo propõe um olhar articulado a três vozes: uma leitura global das viragens estéticas internacionais, a sua declinação e impacto no contexto português, e finalmente a tradução prática destas transformações para quem cria, dirige ou observa teatro hoje. Deste percurso resulta um conjunto de ferramentas acessíveis para compreender o teatro contemporâneo enquanto linguagem plural, marcada pela diversidade, pela experimentação e por uma permanente reinvenção das suas formas.

FUNDAMENTOS DA ENCENAÇÃO
Depois de, no Módulo 1, terem sido abordadas as principais correntes estéticas da criação teatral do século XX, ferramentas críticas para compreender o teatro contemporâneo, o Módulo 2 passa diretamente para a prática da encenação, explorando diferentes formas de pensar e construir cena. Reunindo quatro encenadores de gerações e abordagens distintas, este módulo apresenta uma visão plural da encenação contemporânea: cada sessão oferece uma entrada concreta num modo particular de criar, analisar e organizar um espetáculo. A diversidade não é apenas estilística — é também metodológica, permitindo aos participantes observar como diferentes criadores transformam ideias, textos, imagens, corpos e materiais em linguagem cénica. O módulo não pretende definir um método único, mas sim mostrar várias possibilidades de processo, oferecendo ao participante múltiplos pontos de referência que poderá combinar, adaptar ou questionar no desenvolvimento da sua própria prática.
DRAMATURGIA E COMPOSIÇÃO CÉNICA
Depois de compreender as principais viragens estéticas do teatro contemporâneo (Módulo 1) e de explorar princípios fundamentais da encenação e da organização da cena (Módulo 2), este terceiro módulo desloca o foco para a criação dramatúrgica e a composição cénica. Aqui, os participantes começam a transformar materiais — textuais, documentais, imagéticos, gestuais ou sonoros — em cenas concretas, trabalhando simultaneamente escrita, ação, ritmo, corpo e espaço. Este módulo parte do entendimento de que a dramaturgia contemporânea já não se limita ao texto dramático tradicional: emerge também do movimento, da relação entre corpos, da montagem, do fragmento, da fisicalidade, da observação do quotidiano e da articulação entre materiais diversos. Assim, a dramaturgia é aqui entendida como a arte de organizar sentido, e a composição cénica como o processo de dar forma performativa a esse sentido. Este módulo estabelece a síntese natural entre todo o percurso formativo: os dois primeiros módulos do Eixo 1, as oficinas de corpo e voz do Eixo 2 e os workshops de cenografia e iluminação e desenho de luz. Integrando ferramentas herdadas de cada etapa — análise, ação, fisicalidade, ritmo, voz, espaço e luz — o módulo oferece aos participantes um conjunto sólido de técnicas para construir cenas a partir de múltiplos materiais e linguagens. Deste modo, cada pessoa é convidada a articular corpo, palavra, gesto, espaço luminoso e composição visual num mesmo gesto criativo. Estas competências revelam-se úteis para quem pretende dirigir, escrever, colaborar em processos de criação ou simplesmente compreender de forma mais profunda como se constrói dramaturgia e composição no teatro contemporâneo.
EIXO 2
WORKSHOP DE ILUMINAÇÃO E DESENHO DE LUZ
A iluminação é um dos elementos fundamentais da construção da cena contemporânea, capaz de transformar espaço, tempo, gesto, ritmo e atmosfera. Este workshop aprofunda simultaneamente a dimensão técnica da luz e a sua dimensão dramaturgicamente criativa, permitindo a cada participante compreender como a luz funciona, como se manipula e como se transforma em linguagem. Este workshop apresenta uma abordagem completa à iluminação para teatro e performance, combinando uma componente técnica fundamental com uma componente criativa e dramatúrgica. Ao aprofundar o conhecimento dos projetores, das operações de montagem e dos princípios que determinam o comportamento da luz, o workshop oferece aos participantes as bases necessárias para compreender e praticar iluminação com autonomia. A segunda parte centra-se na criação de atmosferas, na manipulação expressiva do espaço luminoso e no uso da luz como elemento dramatúrgico, visual e rítmico. O workshop articula-se de forma natural com os módulos do Eixo 1 — especialmente com o trabalho de composição cénica do Módulo 3 — e permite que os participantes explorem a luz como ferramenta decisiva na construção do sentido, da presença e da relação espacial.
EIXO 3
SUZUKI, VIEWPOINTS, SPEAKING and COMPOSITION
Este workshop propõe uma imersão prática em quatro eixos fundamentais da criação e do treino performativo contemporâneo: Viewpoints, Suzuki, Speaking e Composition, metodologias desenvolvidas e aprofundadas no contexto da SITI Company, sob a direcção artística de Anne Bogart e Tadashi Suzuki, e transmitidas por Ellen Lauren ao longo da sua extensa experiência pedagógica internacional. O trabalho articula o rigor físico e energético do método Suzuki — centrado na relação com o chão, na presença, na concentração e na resistência — com os Viewpoints, enquanto linguagem de escuta, relação e composição no espaço-tempo. O eixo Speaking introduz a palavra como acção física e rítmica, integrando texto e voz no corpo em movimento, enquanto a Composition funciona como ferramenta de criação colectiva e estruturação dramatúrgica.Este workshop apresenta uma abordagem completa à iluminação para teatro e performance, combinando uma componente técnica fundamental com uma componente criativa e dramatúrgica. Ao aprofundar o conhecimento dos projetores, das operações de montagem e dos princípios que determinam o comportamento da luz, o workshop oferece aos participantes as bases necessárias para compreender e praticar iluminação com autonomia. A segunda parte centra-se na criação de atmosferas, na manipulação expressiva do espaço luminoso e no uso da luz como elemento dramatúrgico, visual e rítmico. O workshop articula-se de forma natural com os módulos do Eixo 1 — especialmente com o trabalho de composição cénica do Módulo 3 — e permite que os participantes explorem a luz como ferramenta decisiva na construção do sentido, da presença e da relação espacial.
EIXO 3
PRÁTICA DE VOZ E LOCUÇÃO
Formação intensiva dedicada aos fundamentos da técnica vocal — respiração, dicção, projeção e intenção. Trabalha também expressividade, clareza e construção de presença sonora. Útil tanto para intérpretes como para encenadores que precisam compreender como a voz cria ação, dinâmica e intenção.
EIXO 3
INTERPRETAÇÃO
Esta oficina prática, conduzida por João Brites, aprofunda a construção de ação, relação e presença em cena a partir de uma abordagem que articula rigor técnico com imaginação e liberdade criativa. Trabalhando corpo e voz em simultâneo, Brites introduz ferramentas concretas para analisar situações dramáticas, explorar jogos de relação, construir personagens e desenvolver pequenas cenas. A escolha de João Brites para esta formação ganha especial relevo no contexto do plano: tendo já participado no Módulo 2 do Eixo 1, onde aborda processos de criação e princípios essenciais da encenação, a sua intervenção em interpretação estabelece uma ponte orgânica entre direção e atuação. Os participantes têm assim a oportunidade de compreender como a leitura, a ação e a construção de sentido se articulam tanto do ponto de vista do encenador como do intérprete. Função no plano de formação Consolidar a camada performativa que sustenta o trabalho dramatúrgico e composicional do Módulo 3. Permitir que os participantes cheguem ao Módulo 3 com maior domínio de ação, intenção, relação, subtexto e clareza expressiva. Estabelecer continuidade pedagógica com o contributo de Brites no Módulo 2, reforçando as ligações entre direção, análise e interpretação.


