
FILMAR A PAISAGEM
SHOOTING THE LANDSCAPE
DURAÇÃO: 2 SEMANAS
Residência Internacional de Pesquisa Cinematográfica - Sete Cidades, São Miguel (Açores, Portugal)
Introdução
“Filmar a paisagem?” será a interrogação de origem e o detonador de processos de criação baseados na linguagem cinematográfica que propomos explorar nesta residência.
Filmar a paisagem é sempre filmar-se a si próprio, filmar-se através da paisagem, procurando no mundo ecos do que somos. Filmar a paisagem será sempre a afirmação de um ponto de vista a partir do qual se organiza a visão do mundo e nela a relação de quem vê com o mundo que vê e em que participa. Filmar a paisagem é aqui entendido como gesto primeiro, na medida em que representa a nossa relação com o que nos rodeia, a nossa forma de estar no mundo. Neste impulso, aparecem questões essenciais ao olhar cinematográfico: encontrar ou ser encontrado pelo lugar a partir do qual se vê e se filma, estabelecer a distância justa com o que se filma, decidir ou sentir o desejo de mover-se, transitar, deslocar-se no espaço ou, pelo contrário, construir as suas dimensões a partir de um ponto fixo, estabelecer as relações, frágeis e frequentemente em alteração, entre o fundo e a figura que se recorta sobre ele...
Todas estas são questões essenciais que atravessam a estética documental. Questões que estão nos seus fundamentos, que em obras acabadas podem mesmo passar desapercebidas, mas todas elas primordiais para poder transmitir aquilo que verdadeiramente se quer dizer com a obra, a sua verdade mais profunda.
Na residência que propomos, a paisagem está no centro, precisamente para nos permitir fixar, aprofundar, rebuscar e encontrar nestas questões as bases, os caminhos e inclusivamente as brechas dos nossos próprios olhares. Em S. Miguel este processo é especialmente intenso. Aqui, a relação com a paisagem é forte e é elemento central da experiência quotidiana, aquele em relação ao qual o resto se nomeia e se organiza, aquele capaz de alterar os dias e arrastar os pensamentos. Canalizar esta força para o processo criativo e experimentar criar a partir dela é a nossa proposta.
Grupo de trabalho
O grupo de trabalho será constituído por 6 participantes e uma equipa de coordenação da residência. Este grupo de pessoas irá viver em conjunto numa casa inserida na paisagem a partir da qual se vai trabalhar - Sete Cidades, S. Miguel, Açores, Portugal.
Dinâmica
A dinâmica da residência será fixada em função dos participantes e dos seus projetos. Haverá momentos de visionamento e discussão de filmes e outros referentes; exposição e discussão dos projetos de cada um em grupo e individualmente com os coordenadores da residência; haverá momentos de rodagem e de visionamento do material filmado bem como discussão e trabalho a partir dessas experiências de rodagem. A filmagem/montagem seguirá em paralelo com a escrita e organização de ideias desde o início da residência até ao final. Todo o trabalho será vivido intensamente, sem pausas, durante as 2 semanas.
Requisitos
Esta residência dirige-se a criadores já com algum trabalho realizado no âmbito da criação audiovisual, essencialmente em cinema documental mas não exclusivamente, e que se interessem em trabalhar a partir da sua relação pessoal com o real e com a paisagem em particular.
Cada participante deverá ter autonomia a nível de equipamento e dominar os seus instrumentos de trabalho, desde a captação de imagens e sons à montagem. Não será necessário equipamento muito específico ou evoluído mas sim equipamento que cada um domine e com que se sinta à vontade.



